Localização: Coimbra, Portugal
Afiliação: Colégio das Artes (UC) / TEUC
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João Pedro Schwingel Carada (Brasil, 1999) é um artista multidisciplinar, performer, músico e investigador residente em Coimbra. É doutorando em Arte Contemporânea no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, Mestre em Música (Performance — Oboé) pela Universidade de Aveiro (2023) e Licenciado em Música pela Universidade de Évora (2021).
A sua atividade artística desenvolve-se de forma plural: atua tanto na criação autoral e cocriação de performances e instalações sonoras como na colaboração enquanto intérprete/performer convidado em obras de outros criadores e encenadores, sonoplasta/compositor, produtor executivo e mediador em projetos comunitários.
Atualmente é Presidente da Direção do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), tendo integrado projetos com Ana Borralho & João Galante, Zé Paredes, Hugo Inácio, Vicente Baptista, Maria Quintelas, Íris Faria Vega, CITAC, Casa da Esquina, Anozero Ágora e Orquestra Sem Fronteiras.
Registo de espetáculos, performances, instalações e projetos comunitários com identificação da função exercida por João Pedro Carada em cada projeto:
MUNDOS INTERIORES é uma performance-instalação da autoria dos artistas Ana Borralho & João Galante. Neste projeto, participei como performer convidado, integrando a residência artística preparatória (17 a 21 de julho) e a apresentação pública no Largo do Romal, na Baixa de Coimbra.
Perante corpos imóveis e silenciosos dispostos no espaço público, o público é convidado a abandonar o papel de simples observador, a aproximar-se e a criar uma relação de intimidade. Os performers sussurram fragmentos de texto da obra teatral de Rodrigo Garcia num espaço partilhado, convidando quem assiste a encontrar o seu próprio lugar de escuta.
Ao explorar a vulnerabilidade e a escala íntima no espaço urbano, a obra questiona as fronteiras entre quem observa e quem é observado, transformando a experiência artística num território de encontro, silêncio e partilha.
Durante dois meses, seis artistas do grupo Corpos Performáticos do doutoramento em Arte Contemporânea do Colégio das Artes (UC), com acompanhamento de Susana Chiocca, reuniram-se para criar SLOW no âmbito do Festival Abril Dança Coimbra.
Neste projeto atuei como cocriador, intérprete em palco e responsável pela sonoplastia / paisagem sonora. Através da dança, de métodos somáticos, da composição sonora e da subversão do Tai Chi, o coletivo propôs suspender o tempo no palco do Teatro Académico de Gil Vicente.
A atenção e o movimento interrogam a quase impossibilidade contemporânea de parar e contemplar: filmar e observar caracóis, subverter o vocabulário formal do Tai Chi, servir chá, descolonizar o corpo e a palavra, fazer e desfazer para que os desejos deixem de ser atropelados pela pressa.
Neste espetáculo do TEUC encenado por Hugo Inácio (interpretado pela turma do Curso de Formação Teatral 2025/2026), a minha atividade centrou-se na produção executiva e gestão (enquanto Presidente da Direção do TEUC), bem como na assistência de encenação, desenho de som e operação sonora.
Em Perpétuo Paredes, espetáculo com dramaturgia e encenação de Zé Paredes encomendado para o centenário de Carlos Paredes, integrei o elenco como ator/intérprete, contracenando em palco com sete atrizes e quatro músicos ao vivo. A peça interroga a tradição e a rutura estética de Carlos Paredes, tendo cumprido apresentações em quatro salas de referência em Portugal e Espanha:
café-com-leite (subst. masc. / adj.): 1. Cor acastanhada semelhante à cor do café com leite. 4. Aquele que é protegido pela indiferença. Não é entendido o suficiente para defender sua posição. Não é ingénuo o suficiente para não participar da ação.
“Quando alguém se dá conta do seu próprio corpo? E do corpo do outro? Em que ponto construímos a ponte que nos conecta? E o mar que nos separa? A 130 km de distância há um sentimento de pertença. Do lado de dentro da porta; afeto. Da porta pra fora; indiferença.”
Performance solo de minha autoria que parte de uma investigação autoetnográfica sobre identidade racial, miscigenação e deslocamento, ancorada nas minhas memórias de infância no sul do Brasil. A ação desenvolve-se em três momentos: inicia-se como um dispositivo relacional de hospitalidade, servindo café com leite a quem passa pelo espaço; desloca-se para o ritual íntimo, banhando o próprio corpo em café com leite enquanto leio memórias do meu diário; e encerra com a lavagem do corpo com água e sabão.
“Há noites que não terminam. Noites que se arrastam como raízes, se entranham no corpo, escurecem o pensamento. Aqui, o tempo é dobrado. O horizonte não é linha, é ausência. E mesmo assim, algo insiste em dançar.”
Como pássaros que já não sabem migrar, seis corpos flutuam entre o que foi e o que talvez ainda não tenha nome. Neste território de delírio e vento, o real dissolve-se no tempo, e cada passo pode ser um sonho, um fim, um começo.
Espetáculo de criação coletiva do TEUC com encenação de Vicente Baptista. Neste projeto atuei simultaneamente como ator em palco, cocriador da dramaturgia, cenografia e figurinos e responsável pela sonoplastia original, compondo as texturas eletroacústicas e ambientes sonoros que estruturam a atmosfera da peça.
Experiência performativa e instalativa cocriada e apresentada em dupla com Maria Vitória do Valle, que trabalha as noções da imaterialidade de “casa” e de “saudade” na vivência migratória.
A partir da escuta em auscultadores da paisagem sonora composta com entrevistas e memórias, o público é convidado a pintar coletivamente uma tela e a construir um varal de memórias.
Residência artística dirigida por Íris Faria Vega (no âmbito do seu doutoramento em Arte Contemporânea na UC), reunindo 20 artistas imigrantes e refugiadas na Casa da Esquina (9 e 10 de março de 2024).
Neste projeto participei como artista residente e fui responsável por recolher os testemunhos e sons dos encontros para compor a paisagem sonora original da instalação, além de dinamizar o dispositivo de pintura participativa com Maria Vitória do Valle.
De Onde Vem? Canções Para Conversar e Criar foi um projeto de arte comunitária e cocriação musical idealizado, coordenado e facilitado por mim no âmbito da 2.ª edição do programa Terra a Terra da Orquestra Sem Fronteiras (OSF).
Desenvolvido em Castelo Branco junto de jovens imigrantes (dos 6 aos 26 anos) integrantes do projeto “Nós com os Outros” (Associação Amato Lusitano), o projeto utilizou a canção popular como território de encontro, formação musical e expressão coletiva.
Ao longo das sessões de percussão corporal, voz, criação de letras e escuta partilhada, a prática artística atuou como ferramenta de inclusão social, reafirmação identitária e diálogo intercultural.
Exercício final do Curso de Formação Teatral do TEUC dirigido por Maria Quintelas, apresentado na Mostra de Teatro Universitário (MTU) no palco do Teatro Académico de Gil Vicente.
Neste espetáculo de Ficção e Teatro Documental atuei como intérprete e cocriador num coro de sete jovens que procura a Verdade sobre três momentos históricos: a Resistência Partisan Italiana, a Resistência do Povo Brasileiro e a Resistência Estudantil Portuguesa de 1969.
Ações performativas urbanas realizadas na Baixa de Coimbra (Edifício Chiado e Rua Visconde da Luz) no âmbito da programação Anozero Ágora (Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra).
Desdobrado da residência na Casa da Esquina sob idealização de Íris Faria Vega e curadoria de Nelson Martins, participei como performer nesta intervenção coletiva inspirada pelas proposições de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Grada Kilomba.
Criação autoral desenvolvida no meu Mestrado em Música na Universidade de Aveiro. Parte da desconstrução do War Requiem (Britten), de Rite de la Lune (E. Michaël) e de Imaginary Landscape No. 1 (John Cage), cruzando páginas de jornais coloniais portugueses do séc. XX com jornais atuais suspensos em estendais.
Através de um teclado à entrada, o público alterava em tempo real a paisagem sonora e as minhas ações físicas e musicais ao oboé até ao limite de colapso da instalação.
Primeira performance em instalação do meu ciclo de investigação de Mestrado. Coloca as Six Metamorphoses after Ovid, Op. 49 para oboé solo de Benjamin Britten em diálogo com uma cartografia sonora de Coimbra gravada por mim, refletindo sobre metamorfose, imigração e memória queer.
De olhos vendados e com cordas amarradas ao corpo e estendidas até às cadeiras da plateia, interpretei Britten de memória enquanto o público desenhava o que escutava e pendurava as folhas nos fios que nos uniam.
Portfólio de atividade artística concebido para candidaturas a residências, apoios à criação, programação cultural e investigação em artes performativas.